última noite

moram em mim prazeres que não são mais meus
se dividem em pequenas partes pra jamais deixarem de existir
mas fazem questão de se mostrarem presentes

conheço os caminhos espinhosos que meus pés desejam trilhar
resisto ao que meus dedos me imploram pra tocar
meus olhos buscam por algo que não posso ver

desde a última noite eu já não posso mais decidir
meus pensamentos voam pra onde não quero
estou sã, mas é difícil me manter aqui

me reconheço no medo de sucumbir mais uma vez
necessito estar só pra ser de novo eu
me afogar em mim faz parte do meu processo

os porquês

a madrugada traz consigo a embriaguez imediata que acompanha a escuridão da noite
uma velha amiga que sempre estará aqui pra trazer seu consolo maternal de quem sabe o que se passa em cada coração
mergulho nesse mar desconhecido e de mistérios tão elucidativos
o silêncio se explica dentro das aflições enjauladas
obstáculos se rompem como se nunca houvessem existido
e os porquês tomam forma

notas da autora (pt 2)

há muito deixei de grifar partes importantes dos textos que escrevem minhas linhas;
há muito já não existem diferenças entre o que mais importa e o que pode passar despercebido; amontoados de palavras que podem contar qualquer coisa: desde uma receita de apenas três ingredientes a algo que jamais pode ser esquecido (minhas linhas contam partes de tudo isso – especialmente o que está entre um e outro).

Sussurro

meus olhos embriagados dizem
em linguagem incomum
as palavras que ecoam dentro da melodia silenciosa
clamando por compreensão, gritam através de atitudes sutis

os passos passados tomam forma
passeando por caminhos já percorridos
na contramão de curvas que me prendem em hipnose – nelas me faço pertencer
venho e vou sem avisar

Ao querido velho Miguel: uma ligeira dose de amor

A luz do entardecer colore meu entusiasmo
Sou sua menina da saia rodada e sorriso largo
Não demore ainda mais pra entregar meu abraço,
quero suas palavras de amor

Pai,
as constelações que se desenham em sua pele
me contam um pouco da sua história
(partes que, por muito tempo, fui incapaz de compreender)

Antecedo as conclusões do amor à vida
e te digo: a plenitude fez morada em nossos corações
O tesouro do sonho pousou em nossa alma
e o brilho nos olhos permanecerá por todo sempre